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FOLHAS DE OUTONO - Diario poetico de fotos do espetaculo FOLHAS DE OUTONO


...no entanto

eu gostava era mesmo de partir...

e – até hoje – quando acaso embarco

para alguma parte

acomodo-me no meu lugar

fecho os olhos e sonho:

viajar, viajar

mas para parte nenhuma...

viajar indefinidamente...

como uma nave espacial

perdida entre as estrelas.

(mario quintana)

 

 

 



Escrito por outonais às 17h59
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Das utopias - Mário Quintana

Se as coisas são inatingíveis... ora!

não é motivo para não quere-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

a magica presença das estrelas!



Escrito por outonais às 17h04
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             Ponto de partida para o espetáculo.

     Miquéias foi arrebatado e deu nisso. Salve Zeca!

       Minha Casa - Zeca Baleiro


É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado
que imprimir o futuro
não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo
nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas

amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar

veja o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa
a casa onde eu sempre morei
a casa onde eu sempre morei
a casa onde eu sempre morei



Escrito por outonais às 11h30
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LIBERTAÇAO
A morte é a libertação total:
A morte é quando a gente pode, afinal,
Estar deitado de sapatos...

 

Um dia... pronto! ... me acabo. Pois seja o que tem de ser.
Morrer, que me importa? ... O diabo é deixar de viver!

 

Se as coisas säo inatingíveis... ora !
Näo é motivo para näo querê-las...
Que tristes os caminhos, se näo fora
A presença distante das estrelas!
Se as coisas säo inatingíveis
Näo é motivo para näo querê-las
Afinal, que graça teria a vida?
Se näo fossem as estrelas.

 

 

 



Escrito por outonais às 15h14
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Dois homens...

Um decide esperar a doce senhora frieza da morte,

que ele sabe, não tardará.

O outro se agarra à possibilidade de viver em liberdade plena

o tempo que há do outro lado da janela.

O primeiro escolheu o recolhimento dentro de si,

esquecendo o menino que teima brincar de esconde-esconde

dentro dos seus olhos.

O segundo quer libertar-se para reencontrar

os meninos correndo nas ruas, e correr com eles.

Um sabe que já aprendeu, ensinou, amou

e viveu o que a vida lhe ofereceu na bandeja do tempo.

O outro busca catar as migalhas dos dias

como se fosse o prato principal da vida.

Um é pássaro engaiolado em si mesmo.

O outro é pássaro livre com as asas cortadas.

O primeiro guarda sonhos.

O segundo também!

 



Escrito por outonais às 11h48
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Escrito por outonais às 09h59
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Escrito por outonais às 09h53
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Lília Diniz - Profundamente embriagada de Quintana!!!

Poema da gare de Astapovo


O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

(Mario Quintana)

 



Escrito por outonais às 09h48
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                          AH! OS RELÓGIOS

                              Amigos, não consultem os relógios
                              quando um dia eu me for de vossas vidas
                              em seus fúteis problemas tão perdidas
                              que até parecem mais uns necrológios...

                              Porque o tempo é uma invenção da morte:
                              não o conhece a vida - a verdadeira -
                              em que basta um momento de poesia
                              para nos dar a eternidade inteira.

                              Inteira, sim, porque essa vida eterna
                              somente por si mesma é dividida:
                              não cabe, a cada qual, uma porção.

                             E os Anjos entreolham-se espantados
                             quando alguém - ao voltar a si da vida -
                             acaso lhes indaga que horas são...

                                     (Mario Quintana)

 



Escrito por outonais às 01h24
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                                    CANÇÃO DE OUTONO

 

                                     O outono toca realejo

                                     No pátio da minha vida,

                                     Velha canção, sempre a mesma,

                                     Sobe a vidraça descida...

 

                                    Tristeza? Encanto? Desejo?

                                    Como é possível sabê-lo?

                                    Um gozo incerto e dorido

                                    De carícia a contrapelo...

 

                                    Partir, ó alma, que dizes?

                                    Colher as horas, em suma...

                                    Mas os caminhos do Outono

                                    Vão dar em parte nenhuma!

                                                                   (Mario Quintana)



Escrito por outonais às 00h37
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Miltinho Alves - A luz do outono que irradia as outras estações!

                  O luar,
               é a luz do Sol que está sonhando.

                                     (Mario Quintana)



Escrito por outonais às 00h28
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    Oséias ou Mozéias? O sorriso é inconfundível, alegria contagia...

             Recordo ainda...e nada mais me importa...
             Aqueles dias de uma luz tão mansa
             Que me deixavam, sempre, de lembrança,
             Algum brinquedo novo à minha porta...

 

            Mas veio um vento de desesperança
            Soprando cinzas pela noite morta!
            E eu pendurei na galharia torta
            Todos os meus brinquedos de criança...

 

            Estrada afora após segui...  Mas, ai,
            Embora idade e senso eu aparente,
            Não vos iluda o velho que aqui vai:

 

            Eu quero os meus brinquedos novamente!
            Sou um pobre menino...acreditai...
            Que envelheceu, um dia, de repente!..

                                           (Mário Quintana)

 



Escrito por outonais às 00h08
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Marta... Martinha é um pássaro... passarim que voa e deixa o outono

o inverno, o verão e a primavera mais intensos!

 

 

Viver


Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!

                    (mário quintana)

 



Escrito por outonais às 23h49
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                  Saulo Moscardini      & Valéria Lehmann

 

                       Eles dois dedilham notas e tocam nossas almas!

 

                                CAVALO DE FOGO

 

                                Mas a minha mais remota recordação

                                Só muito tempo depois eu vim saber que era cometa

                                e precisamente o cometa Halley

                                 - maravilhosamente Cavalo Celestial! –

                                 com a sua longa cauda vermelha atravessando,

                                 ondulante, de lado a lado,

                                 bem sobre o meio do mundo,

                                 a noite misteriosa do pátio...

                                 Jamais esquecerei a sua aparição

                                 porque naquele tempo de espantos e encantos

                                 o cometa de Halley não se contentava em                                                     

                                 aparecer um cavalo, apenas:

                                 o cometa de Halley era um cavalo!

                                                             (Mário Quintana)



Escrito por outonais às 23h35
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Valeria Lehmann - é desses anjos que pousam displicentemente na tua

vida e vai ficando... ficando... ficando...

Chegou como não quem não quer nada e hoje faz a diferença entre as

                                   Folhas de Outono

 

                     

                     UM CÉU COMUM

 

                     No céu vou ser recebido

                    com uma banda de música

                    Tocarão um dobradinho

                    daqueles que nós sabemos

                   - pois nada mais celestial

                    do que a música que um dia ouvimos

                    no coreto municipal

                   de nossa cidadezinha...

                   Não haverá cítaras nem liras

                   - quem pensam vocês que eu sou?

                   E os anjinhos estarão vestidos

                   no uniforme da banda,

                   com os sovacos bem suados

                   e os sapatos apertando.

                   Depois, irei tratar da vida

                   como eles tratam a sua...

                              (Mário Quintana)



Escrito por outonais às 23h08
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